Prémio Black Box

O Prémio Lush Black Box tem como o seu objetivo estimular uma pesquisa mundial e formação que incide em “trilhos toxicológicos humanos” com a intenção de substituir os testes em animais em toxicologia.

Um trilho toxicológico é uma cadeia de acontecimentos a nível celular que segue a primeira interação de um produto químico toxico com as células no corpo.

O prémio Black Box oferece um prémio de 250,000 libras, em qualquer um dos anos, para um progresso fundamental nesta área de pesquisa.

Em 2015, o primeiro prémio Black Box foi entregue a um grupo de cientistas que estavam envolvidos   na cartologia, desenho e aceitação de testes de substituição para o trilho toxicológico humano da sensibilidade da pele (alergia).

Os juízes do prémio Lush acreditam que a cartologia de cada trilho toxicológico humano representa um passo fundamental para um futuro onde uma ciência molecular superior substitui a antiga e imprecisa tecnologia de testar animais nos laboratórios.

Isto iria mudar a cultura do século XXI no mundo de pesquisa e formação toxicológica a qual já iniciou desde o relatório do Conselho Nacional da Investigação dos EUA de 2007.

Chama-se o ‘Prémio Black Box’ devido aos produtos tradicionais de testes de segurança, que dependem de testes em animais, explicarem pouco acerca se ou quando os produtos químicos causam efeitos de saúde adversos para os seres humanos: trata o assunto como uma ‘black box’. O Prémio Lush deseja ajudar a abrir esta caixa e melhorar a ciência dos testes de segurança.

 

Toxicologia do século XXI e trilhos toxicológicos

 
A Toxicologia do século XXI tem esse nome porque aplica novas técnicas que estão a surgir e modelos neste século, como os ómicos (como os genómicos, transcritomas, proteómicos), células estaminais pluripotentes humanas que foram induzidas, modelos de tecido humano tridimensional, microscopia de análise de alto conteúdo, microfluidos (i.e. laboratórios num chip) e sistemas biológicos ( interpretação computacional, integração e modelos de dados experimentais – molecular, celular, tecido, etc. – para criar um entendimento dos processos biológicos complexos ao nível do organismo).

Uma transformação em toxicologia tem vindo a aparecer desde a publicação do relatório do Conselho Nacional de Pesquisa Nacional dos EUA de 2007. Este recomendou um “paradigma do século XXI” para testes de segurança, que envolve uma mudança radical em estudar os parâmetros apicais de testes em animais para um novo enquadramento com base em entender novos trilhos toxicológicos dentro das células humanas.

Um trilho toxicológico é definido por uma cadeia de acontecimentos celulares que acontecem quando um produto tóxico tem a sua primeira interação com as células no corpo, como por exemplo um recetor de interação ou através de ligação do ADN – que é conhecido como um acontecimento de iniciação molecular. Os trilhos toxicológicos representem perturbações adversas de trilhos normais de células, que resultam em mudanças na função do gene, assinalação de células ou produção de proteínas e afetam a saúde e a função das células (i.e.  mudanças das membranas, stress oxidativo).

O resultado final é visto como um efeito tóxico (ou resultado adverso na saúde) em todo o organismo, como quando um produto químico carcerígeno causa um tumor. Apesar da maioria dos efeitos tóxicos envolverem uma interação complexa de tecidos diferentes, órgãos e sistemas do corpo, a pesquisa de trilhos toxicológicos concentra-se nos primeiros acontecimentos a nível molecular e celular.

Os principais trilhos toxicológicos estão a ser elucidados através de modelos computacionais e estudos celulares e moleculares especificamente humanos nos testes de tubo, com a ajuda das ferramentas de sistemas biológicos. Ensaios podem ser desenvolvidos para identificar se os produtos químicos desencadeiam estes trilhos e eventualmente dão lugar a efeitos tóxicos.

 

Vantagens de Toxicidade do século XXI

 
A Toxicologia do século XXI oferece vantagens dramáticas em relação aos testes em animais tradicionais: velocidade, relevância para humanos, custo efetivo, compreensão das razões toxicológicas, predição da variabilidade humana e efeitos durante os estágios diferentes da vida (i.e. bebés, crianças, adultos), testes de misturas de produtos químicos e a substituição de testes em animais os quais causam sofrimento para milhares de animais em cada ano.

Esperamos encontrar centenas de trilhos toxicológicos diversamente associados com células diferentes no corpo (i.e. pele, fígado, rins, sistema nervoso) e com classes diferentes de produtos químicos.

Um produto químico único pode ativar vários desses trilhos, mas provavelmente existe um núcleo mais pequeno de acontecimentos celulares que irá providenciar os objetivos essenciais para novos testes de segurança.  Estamos muito perto de ter uma completa elucidação acerca de alguns trilhos toxicológicos, por exemplo para carcerígenos diretos e para produtos químicos sensibilizantes para a pele.

 

Elegibilidade

 
A pesquisa é ilegível para o Prémio Black Box se elucidar claramente um trilho de resultados adversos para os seres humanos, com base nos dados experimentais que demonstre todos os passos principais desde a primeira interação de uma ou mais moléculas químicas até aos efeitos completos a nível celular, de tecidos ou individual.

A pesquisa deve ter dado origem ao desenvolvimento e aceitação regulatória, idealmente a nível do OECD, de um ou mais testes sem animais que substituem alguns ou todos os testes em animais existentes relacionados com este trilho.

A pesquisa deve encontrar-se completa e ter sido publicada cinco anos antes da edição do prémio anual.

 

 

Não estamos a pedir nomeações para o Prémio Black Box, mas gostamos de receber as suas ideias, feedback e sugestões.